Todo mundo parecia melhor que eu. Até que eu fiz diferente.
Quando comecei como júnior, entrei com muita vontade. Mas bastaram os primeiros dias pra perceber que o jogo era mais duro do que parecia. Eu olhava pro lado...
Quando comecei como júnior, entrei com muita vontade. Mas bastaram os primeiros dias pra perceber que o jogo era mais duro do que parecia. Eu olhava pro lado e todo mundo parecia melhor que eu. Mais técnico. Mais confiante. Mais eloquente. Pareciam já ter nascido prontos. Enquanto isso, eu ficava ali, tentando disfarçar a dúvida e me agarrar ao que eu sabia. No fundo, eu achava que estava sempre um passo atrás. E que, cedo ou tarde, alguém ia perceber. Então eu fiz o que parecia mais seguro: Comecei a tentar copiar quem parecia “acertar sempre”. Adotava as mesmas frases. Evitava opinar demais. Ficava no “modo observação”, torcendo pra que, um dia, aquilo tudo começasse a fazer sentido. Mas, no fundo, algo me incomodava. Eu não estava crescendo. Só estava tentando me encaixar. E quanto mais eu tentava me parecer com os outros, mais distante eu ficava de descobrir o que eu realmente tinha pra oferecer. Veio um projeto novo. Um daqueles que ninguém queria pegar. E adivinha quem ficou com ele? Eu. O tema era fora do meu repertório técnico, o prazo era apertado, e pra completar, eu seria o único júnior da equipe. Fiquei paralisado nos primeiros dias. Tentei fazer igual aos outros, de novo. Mas dessa vez não colava — eu não dominava os códigos que eles dominavam, nem falava as mesmas siglas. A única coisa que me restava era tentar entender o problema real que a gente estava tentando resolver. Foi aí que, sem querer, eu fiz diferente. Enquanto o time mergulhava na complexidade técnica, eu comecei a puxar outra ponta: fui conversar com quem tinha o problema. Perguntei, escutei, anotei. Transformei termos difíceis em perguntas simples. Fui ligando os pontos entre o que o cliente precisava e o que a gente estava entregando. E, sem perceber, virei o elo entre a dor e a solução. Ali eu entendi: 👉 talvez eu nunca fosse o mais técnico — mas podia ser o mais curioso. O mais tradutor. O mais atento ao que realmente importa. Era isso que eu trazia pra mesa. E era isso que o time não sabia que precisava — até eu aparecer. Aquilo me deu um lugar no time. Pelas primeiras entregas, não foi pelo código mais elegante. Foi pela clareza que eu trazia. Pela conexão entre o que o negócio queria e o que o time precisava fazer. E isso me deu algo precioso: tempo e confiança pra crescer. Enquanto ganhava espaço, aproveitei cada brecha pra estudar mais, perguntar mais, codar mais. Peguei os feedbacks técnicos que antes me travavam e transformei em combustível. Anos depois, não só domino a parte técnica — como sou procurado por isso. Mas tudo começou ali. Quando parei de tentar ser igual… e comecei a fazer diferente. Hoje, quando vejo alguém no início da carreira tentando se encaixar, me dá vontade de dizer: "Você não precisa ser como todo mundo. Precisa descobrir o que só você pode trazer." No começo, meu diferencial não era o código. Era a escuta. A curiosidade. A vontade de entender de verdade o problema. E foi isso que me deu tempo e espaço pra, com o tempo, virar o técnico que eu sonhava ser. 👀 Talvez você nunca seja o mais rápido. Ou o mais brilhante. Mas se for o mais atento, o mais disposto a aprender e a contribuir de forma genuína… você já está no caminho. 🎯 E às vezes, o que parece uma limitação… é só a forma mais sincera que você tem de começar. ------------------------------------------------------------------------------- Se esse texto conversou com algum pedaço da sua história, então o vídeo abaixo pode te provocar ainda mais. Nele, eu falo sobre a importância de pensar com a própria cabeça, sair do piloto automático e começar a construir uma jornada profissional com mais verdade e intenção. Porque, no fim das contas, crescer não é sobre parecer pronto — é sobre estar disposto a aprender com coragem e consciência. https://www.youtube.com/watch?v=FC29KSEuEbA